Política
Bilhões em empréstimos e delegacias em situação precária: Crise na segurança atravessa gestões no Amazonas
Levantamento aponta mais de R$ 17 bilhões em operações de crédito durante o segundo mandato de Wilson Lima, enquanto fiscalizações do MPAM registraram problemas estruturais e falta de efetivo no interior
Amazonas – Enquanto o Governo do Amazonas avançava em operações de crédito autorizadas pela Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), fiscalizações do Ministério Público do Amazonas (MPAM) registravam problemas estruturais e de pessoal em delegacias do interior do Estado.
O levantamento apresentado aponta que as autorizações de crédito acumuladas durante o segundo mandato de Wilson Lima ultrapassariam R$ 17 bilhões, considerando operações em reais e financiamentos em moeda estrangeira. O valor, porém, reúne operações destinadas a diferentes áreas e não significa que os recursos tenham sido direcionados exclusivamente para a segurança pública.
Em novembro de 2023, por exemplo, a ALEAM autorizou operações que somavam aproximadamente R$ 2,5 bilhões, incluindo R$ 1,5 bilhão junto ao Banco do Brasil e US$ 200 milhões junto ao Banco Mundial.
Delegacias enfrentam problemas no interior
Um dos casos mais críticos foi identificado pelo MPAM na 7ª Delegacia Interativa de Polícia de Eirunepé. Inspeções registraram infiltrações, mofo, goteiras, rachaduras, presença de insetos, sujeira e risco de fuga.
Em 2026, a situação continuou sendo acompanhada pelo Ministério Público. Em maio, a Justiça autorizou a transferência de dezenas de custodiados para Manaus diante da superlotação e das condições estruturais da unidade.
Em agosto, o MPAM voltou a apontar irregularidades estruturais e funcionais na delegacia, incluindo problemas na carceragem e condições inadequadas para a custódia de presos.
Falta de policiais também preocupa
Em Tefé, o MPAM ajuizou ação civil pública após constatar problemas de estrutura e de efetivo. Segundo o órgão, a delegacia contava com apenas três investigadores e dois escrivães.
Já em Atalaia do Norte, uma fiscalização identificou escassez de policiais, limitações estruturais e ausência de delegado titular na unidade. O MPAM recomendou melhorias e adequações.
O contraste registrado nos documentos oficiais é evidente: enquanto o Estado realizou sucessivas operações de crédito para diferentes áreas, unidades policiais do interior continuaram sendo alvo de fiscalizações e recomendações por problemas de estrutura, efetivo e funcionamento.
Os documentos, contudo, não estabelecem que os recursos das operações de crédito deveriam necessariamente ser destinados às delegacias. O cenário revela, sobretudo, que as dificuldades na estrutura da segurança pública permaneceram sendo apontadas por órgãos de controle ao longo dos últimos anos.

