Polícia
DINHEIRO ESCONDIDO EM CERVEJA E SALGADINHOS: PF prende empresários com R$ 1,64 milhão em espécie em Manaus
Dupla foi presa em flagrante após saques de alto valor no Centro da capital; Polícia Federal investiga origem dos recursos e apura possível relação com contratos públicos e crimes eleitorais.
Manaus – Uma apreensão de aproximadamente R$ 1,64 milhão em dinheiro vivo levou a Polícia Federal a prender dois empresários em flagrante nesta quinta-feira (1º), no Centro de Manaus. Segundo informações divulgadas pela PF, parte das cédulas estava escondida dentro de embalagens de salgadinhos e cerveja, enquanto outra quantia era transportada em uma mochila.
Os presos foram identificados como Mark Estanley Fernandes Nascimento de Lima e Mayra Cristina Queiroz Laan. Conforme a investigação divulgada, Mark estava com aproximadamente R$ 1,35 milhão, enquanto outros R$ 290 mil foram encontrados com Mayra. Todo o dinheiro foi apreendido e encaminhado para análise no âmbito do procedimento policial.
A ação ocorreu após informações recebidas pela Central de Denúncias Eleitorais, que apontavam saques elevados realizados nos dias anteriores e levantavam a possibilidade de que os recursos tivessem alguma destinação ilícita durante o período eleitoral. A PF passou a acompanhar a movimentação e realizou a abordagem em uma agência bancária localizada na região central da capital.

Cédulas estavam escondidas em embalagens
De acordo com os relatos atribuídos aos agentes que participaram da ação, a maneira como o dinheiro foi transportado chamou a atenção da equipe.
Com Mark, aproximadamente R$ 1,35 milhão teria sido encontrado acondicionado em embalagens de alimentos e bebidas e também em sacolas. Já Mayra carregava uma mochila contendo cerca de R$ 290 mil. O montante total chegou a aproximadamente R$ 1,64 milhão.
A apreensão ocorreu depois que os investigadores identificaram a movimentação considerada suspeita e passaram a acompanhar os envolvidos. Segundo informações divulgadas, os dois foram conduzidos à sede da Polícia Federal após a abordagem.
PF investiga possível origem em contratos públicos
A Polícia Federal apura agora a origem, a movimentação financeira e a possível destinação dos recursos.
Segundo declaração atribuída ao delegado João Marcello Rodrigues Uchoa, existem indícios que levaram os investigadores a verificar uma possível relação do dinheiro com contratos públicos. A investigação também considera a hipótese de que parte dos valores pudesse ter alguma ligação com corrupção eleitoral, especialmente por causa da proximidade do primeiro turno das eleições.
As autoridades também investigam a possibilidade de lavagem de dinheiro, mas essas hipóteses ainda dependem da análise dos documentos, movimentações financeiras e demais elementos que serão reunidos no inquérito.
A PF informou que o objetivo nesta etapa é esclarecer de onde veio o dinheiro e qual seria o destino pretendido para os valores apreendidos.
Empresária aparece ligada a empresas
Mayra Cristina Queiroz Laan é apontada como sócia-administradora da empresa Alicerce Atividades Profissionais em Projetos Sustentáveis e também possui participação na 3M Comunicação e Minério Ltda., conforme informações reproduzidas a partir dos dados levantados na investigação.
A empresa Alicerce aparece relacionada a um contrato firmado em 2023 com a Prefeitura de Manaus para a aquisição de 12 ônibus, no valor informado de R$ 34 milhões. A existência desse contrato, por si só, não comprova qualquer irregularidade, e eventual relação entre os recursos apreendidos e contratos públicos ainda está sendo investigada.

Investigados permaneceram em silêncio
Durante os procedimentos realizados na Polícia Federal, os dois investigados optaram por permanecer em silêncio.
O dinheiro apreendido deverá passar por análise para auxiliar na identificação da origem dos recursos, das movimentações financeiras relacionadas e de eventual destinação.
A investigação também poderá analisar contratos, documentos empresariais e outras evidências que possam ajudar a esclarecer a origem dos valores encontrados.
Por enquanto, a suspeita de compra de votos, eventual desvio de recursos públicos ou lavagem de dinheiro não representa uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos investigados. Caberá às autoridades reunir provas e, posteriormente, à Justiça apreciar os fatos.
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