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Amazonas

Caos no lixão: R$ 2,5 milhões de multa e uma semana de fogo

Fogo que começou no dia 13 de agosto expôs novamente os problemas ambientais do lixão a céu aberto e levou o Ministério Público do Amazonas a investigar as causas do incêndio e os impactos provocados pela fumaça.

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O incêndio no lixão de Iranduba começou em 13 de agosto e permaneceu ativo por vários dias. A ocorrência provocou uma intensa nuvem de fumaça, percebida inclusive de pontos de Manaus. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou multa de aproximadamente R$ 2,5 milhões ao município pela poluição atmosférica provocada pela queima de resíduos. O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou investigação para apurar as causas do incêndio, os danos ambientais e os possíveis impactos à saúde da população.

O incêndio que atingiu o lixão a céu aberto de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, completou uma semana e transformou novamente o problema da destinação de resíduos do município em alvo de cobranças dos órgãos de fiscalização.

As chamas começaram na tarde de quinta-feira (13), na área de descarte localizada no Ramal do Janauari, e produziram uma extensa coluna de fumaça. A dimensão do incêndio chamou atenção de moradores das comunidades próximas e fez com que a fumaça pudesse ser observada de diferentes pontos da região, inclusive nas proximidades da Ponte Jornalista Phelippe Daou.

O combate exigiu a atuação de equipes do Corpo de Bombeiros e o uso de máquinas para movimentar as toneladas de resíduos acumuladas. A estratégia é necessária porque o fogo pode permanecer em camadas profundas do lixo, dificultando o controle dos focos e o trabalho de rescaldo.

Por que o incêndio virou caso de investigação?

A permanência do fogo e os impactos provocados pela fumaça fizeram com que o episódio ultrapassasse a esfera de uma ocorrência emergencial.

O Ministério Público do Amazonas instaurou uma notícia de fato para apurar as causas do incêndio, os danos ambientais e os possíveis efeitos da fumaça sobre a população. A investigação é conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Iranduba, com apoio da 2ª Promotoria e de órgãos especializados na defesa do meio ambiente e urbanismo.

O MPAM também requisitou informações ao Corpo de Bombeiros, Ipaam, Defesas Civis estadual e municipal, Prefeitura de Iranduba e secretarias municipais de Saúde e Assistência Social.

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão a origem do fogo, a dimensão da área atingida, os recursos empregados no combate e os riscos de propagação para áreas de vegetação, residências e vias próximas.

Existe risco para a saúde dos moradores?

A qualidade do ar tornou-se uma das principais preocupações após o incêndio.

A Secretaria Municipal de Saúde deverá informar ao Ministério Público se houve aumento de atendimentos por problemas respiratórios ou outros agravos que possam estar relacionados à exposição à fumaça desde o início do incêndio.

O problema ganha dimensão ainda maior porque o lixão está próximo de comunidades rurais e áreas ambientais. Durante o incêndio, a grande quantidade de fumaça provocou preocupação entre moradores que vivem no entorno.

Prefeitura de Iranduba já havia sido multada?

Sim. O incêndio ocorreu em meio a um histórico de fiscalizações e autuações relacionadas às condições do lixão.

Segundo informações divulgadas após a fiscalização, o Ipaam aplicou uma nova multa de aproximadamente R$ 2,5 milhões ao município por poluição atmosférica decorrente da queima de resíduos a céu aberto. A Prefeitura já havia sido multada anteriormente em R$ 500 mil e, em 2026, recebeu outra penalidade de R$ 1,5 milhão por reincidência.

Uma vistoria realizada em março deste ano apontou problemas como resíduos depositados diretamente no solo, pilhas de lixo com mais de quatro metros de altura, acúmulo e escoamento de chorume e ausência de sistemas adequados de drenagem e captação de gases.

Somadas, as três multas citadas chegam a cerca de R$ 4,5 milhões.

O problema é apenas o incêndio?

Não. O fogo expôs um problema ambiental que já se arrasta há anos.

Moradores vêm cobrando uma solução definitiva para a destinação dos resíduos e defendem a substituição do lixão por uma estrutura adequada, como um aterro sanitário. O tema já foi levado anteriormente a órgãos de fiscalização e ao próprio Ministério Público.

A discussão também envolve famílias que dependem da coleta e separação de materiais recicláveis. Segundo relatos divulgados durante o incêndio, mais de 30 famílias estão cadastradas em uma associação de catadores que utiliza a reciclagem como fonte de renda, e parte dos materiais armazenados para comercialização foi destruída pelas chamas.

O que pode acontecer agora?

Com a investigação aberta, os órgãos públicos terão de apresentar informações sobre o incêndio, os danos provocados e as medidas adotadas para evitar novos episódios.

O MPAM também deverá acompanhar as condições ambientais da área e as providências relacionadas às famílias afetadas.

O caso coloca novamente a Prefeitura de Iranduba diante de uma cobrança que vai além do combate às chamas: apresentar uma solução definitiva para a destinação dos resíduos e reduzir os riscos ambientais e sociais provocados pelo funcionamento do lixão.

O incêndio pode ser controlado, mas o problema permanece enquanto toneladas de resíduos continuarem acumuladas a céu aberto.