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Brics pede “Máxima contenção” diante da escalada de tensões no Oriente Médio
Declaração aprovada em Nova Delhi também defende reforma do Conselho de Segurança da ONU, critica tarifas unilaterais e cita o uso de moedas locais no comércio.
Os países que integram o Brics manifestaram “profunda preocupação” com o aumento das tensões no Oriente Médio e defenderam que as nações envolvidas adotem máxima contenção para evitar uma escalada ainda maior do conflito.
A posição foi registrada na declaração final da cúpula realizada neste fim de semana em Nova Delhi, na Índia. O documento também aborda temas como comércio internacional, reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), desigualdade e mecanismos de pagamentos em moedas locais.
Atualmente, o Brics reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.
Documento evita citar diretamente países envolvidos
Um dos principais pontos da declaração trata das tensões no Oriente Médio e na Ásia Ocidental. O texto não cita diretamente os países envolvidos nem utiliza a palavra “guerra” nesse trecho.
Os integrantes do grupo afirmam estar preocupados com a continuidade da escalada e defendem a suspensão de ações que possam agravar ainda mais a situação.
A reunião contou com a participação de líderes como Narendra Modi, da Índia; Xi Jinping, da China; Vladimir Putin, da Rússia; Cyril Ramaphosa, da África do Sul; e Masoud Pezeshkian, do Irã.
Os Emirados Árabes Unidos foram representados pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan. O Brasil teve como representante o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Brics defende maior participação do Brasil na ONU
A declaração também defende uma reforma do Conselho de Segurança da ONU para ampliar a representação dos países em desenvolvimento.
O órgão é formado por 15 países, sendo cinco membros permanentes com poder de veto: Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França.
China e Rússia reiteraram apoio às aspirações do Brasil e da Índia de desempenharem um papel maior dentro da ONU, incluindo no Conselho de Segurança. O documento, porém, não afirma especificamente que o Brasil deverá ocupar um assento permanente.
Críticas às tarifas e defesa de moedas locais
Outro ponto destacado pelos países do Brics foi a crítica ao aumento de tarifas e outras barreiras unilaterais ao comércio internacional.
O documento afirma que essas medidas podem distorcer o comércio e entrar em conflito com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A declaração também menciona avanços na criação de mecanismos para pagamentos transfronteiriços utilizando moedas locais. O texto não propõe, entretanto, a criação de uma moeda própria do Brics ou a substituição do dólar.
Além disso, os países defenderam ações para combater a pobreza e registraram uma proposta do Brasil e da África do Sul para a criação de um painel internacional sobre desigualdade.
