Política
“Estão querendo beneficiar Lula”, dispara Zema após cancelamento de debate da Globo e questiona decisões judiciais
Candidato do Novo à Presidência critica decisões do Judiciário, aponta suposto favorecimento ao presidente e garante que seguirá na disputa eleitoral.
Rio de Janeiro – O cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo nesta quinta-feira (1º) provocou uma forte reação do candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo). Já nas instalações da emissora, no Rio de Janeiro, o ex-governador de Minas Gerais criticou as decisões judiciais que alteraram as regras do encontro e afirmou que a Justiça estaria atuando para beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Estão querendo beneficiar o Lula”, declarou Zema, ao comentar o episódio. Em entrevista à imprensa, o candidato acusou o Judiciário de interferir no processo político e questionou a mudança das regras a poucos minutos do debate.
“O Judiciário faz política no Brasil. Nada contra a participação de qualquer candidato, mas nós sempre tivemos regras para serem obedecidas e, faltando poucos minutos, uma decisão judicial, ao meu entender, sem pé nem cabeça, muda tudo. Outro candidato desiste e nós estamos vendo a Justiça a serviço do Lula”, afirmou.
Zema fala em insegurança política e descarta desistência
O candidato também classificou o cenário como de “total insegurança política” e aproveitou a repercussão do episódio para reafirmar que não pretende abandonar a corrida presidencial.
“Um time que está em campo aos 40 minutos vai sair do campo? Vou levar até o final. Hora nenhuma pensamos em desistência”, declarou.
Zema ainda destacou que recebe apoio de prefeitos e parlamentares de diferentes partidos, além de reconhecer que integrantes do Novo também apoiam outros candidatos, situação que considera normal no cenário político.
Decisões do TSE e do STF levaram ao cancelamento
Em comunicado, a TV Globo informou que recebeu duas notificações judiciais que interferiram nas regras previamente acordadas com os partidos e decidiu cancelar o debate.
Uma das decisões foi da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que atendeu a um pedido da coligação de Lula e determinou mudanças nas regras relacionadas à ausência de candidatos, incluindo a proibição de perguntas e a manutenção de púlpito vazio.
A outra decisão partiu do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a participação de Renan Santos, candidato do partido Missão, no encontro.
A emissora também mencionou uma decisão do presidente do TSE, Nunes Marques, que alterou o entendimento sobre a contagem de parlamentares no Congresso Nacional para definir quais candidatos teriam direito de participar de debates.
O episódio abriu uma nova discussão sobre os limites das decisões judiciais, a autonomia das emissoras e as regras de participação dos candidatos nos debates eleitorais.
Enquanto a TV Globo justificou o cancelamento pelas mudanças determinadas pela Justiça, as declarações de Zema ampliaram a repercussão política do caso, que colocou em evidência o embate entre as regras eleitorais e a organização dos debates presidenciais.
