Política
“Cada um com seu CPF”: Cidade tenta se afastar de Wilson Lima, mas histórico de alianças volta ao centro da campanha
Em debate eleitoral, candidato afirmou responder pelo próprio governo; trajetória política, porém, inclui apoio de Wilson Lima à sua permanência na presidência da Aleam e à candidatura à Prefeitura de Manaus.
Amazonas – Na reta final das eleições, Roberto Cidade (União Brasil) tenta estabelecer uma separação política entre sua administração e a gestão do ex-governador Wilson Lima, também do União Brasil. A estratégia ficou evidente durante o debate da TV A Crítica, realizado na segunda-feira (28), quando Cidade foi questionado por David Almeida sobre problemas relacionados à administração estadual.
Durante o confronto, Cidade afirmou: “Eu respondo pelo meu governo, pelo meu trabalho, pela minha dedicação e você está falando do Wilson Lima. Eu respondo pelo meu CPF, pela minha história de vida.”
O discurso, porém, ocorre em meio a um histórico de alianças entre os dois políticos.
Apoio de Wilson marcou trajetória política de Cidade
Em janeiro de 2023, Wilson Lima declarou apoio à permanência de Roberto Cidade na presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Na época, os dois já pertenciam ao União Brasil e Lima afirmou publicamente que apoiava a continuidade de Cidade no comando do Legislativo estadual.
A aproximação também avançou para a disputa pela Prefeitura de Manaus em 2024. Wilson Lima participou de articulações em torno da pré-candidatura de Cidade e, em março daquele ano, declarou que precisava do então presidente da Aleam no comando da capital.
A relação política voltou a ganhar um novo capítulo em abril de 2026. Após Wilson Lima renunciar ao cargo de governador para disputar as eleições, Roberto Cidade, então presidente da Aleam, assumiu interinamente o Governo do Amazonas. Em 4 de maio, ele foi eleito governador por unanimidade pelos 24 deputados estaduais, em eleição indireta.
Agora, durante a campanha, Cidade procura apresentar sua administração como uma etapa própria, enquanto adversários exploram justamente sua trajetória de alianças com o grupo político de Wilson Lima.
A discussão ganhou ainda mais espaço diante da disputa judicial envolvendo o empréstimo de R$ 1,462 bilhão pretendido pelo Governo do Amazonas junto ao Banco do Brasil. Em setembro, a Justiça Federal havia suspendido a contratação, apontando a necessidade de nova avaliação sobre aspectos fiscais e a destinação dos recursos.
Assim, a declaração de Cidade sobre “cada um com seu CPF” passou a ser explorada politicamente pelos adversários como parte do debate sobre continuidade ou ruptura em relação ao grupo que comandou o Estado nos últimos anos.
